A pretensão de filosofar no plano da “razão pura” tem sido contestada por autores e correntes que valorizam o carácter “situado” do pensamento, sempre condicionado pelo contexto histórico, social e cultural. A dificuldade reside em saber o que é determinante na “situação”, dada a multiplicidade e a complexidade dos factores envolvidos. Ora, a escola da filosofia portuguesa tem defendido ser a língua o elemento essencial do horizonte em que pensamos, seja qual for o plano; de modo que a poesia de Teixeira de Pascoaes se pode considerar uma das mais altas expressões do pensamento português e humano, portanto de inegável valor filosófico. Está claro que, sendo possível transpor essa poesia para enunciados de feição discursiva ou para outra língua, os conteúdos ficam necessariamente matizados ou alterados pelas novas formas em que se vertem.

O especial interesse do livro de Olavo de Carvalho, Aristóteles em Nova Perspectiva. Introdução à teoria dos quatro discursos, consiste em reforçar a tese da prioridade da língua a partir da exegese da obra aristotélica, cuja presença no pensamento universal e em especial no nosso é das mais relevantes.

Segundo Olavo de Carvalho, para Aristóteles os discursos poético, retórico, dialéctico e analítico ou lógico apenas se distinguem pelo diferente grau de verosimilhança e certeza. Como todo o conhecimento parte da experiência sensível, o nível mais abstracto articula-se, em última instância, com os anteriores, numa escala de crescente evidência e necessidade. Como defendeu Eudoro de Sousa, seria necessário ser contemporâneo de Aristóteles para verdadeiramente o compreender, pois o seu pensamento está indissoluvelmente ligado à língua grega, tal como se falava e entendia no seu contexto epocal e local.

Considero, pois, tratar-se de um livro que muito interessa à reflexão sobre o tema das filosofias nacionais. Por isso de há muito se desejava que fosse mais conhecido entre nós, onde, como creio que no Brasil, não mereceu ainda a devida atenção.

Joaquim Domingues

Lançamentos já confirmados:

25 de Novembro

Colóquio
O MAGISTÉRIO DE OLAVO DE CARVALHO: PARA UMA PAIDEIA INTEGRAL

10h00 | SESSÃO DE ABERTURA

Luís Aires de Barros (Sociedade de Geografia de Lisboa)

Renato Epifânio (MIL: Movimento Internacional Lusófono & NOVA ÁGUIA: Revista de Cultura Para o Século XXI)

Abel Lacerda Botelho (Fundação Lusíada)

Armando Marques Guedes (CEDIS: Centro de I&D sobre Direito e Sociedade da Universidade Nova de Lisboa)

10h30 | PAINEL I

O TRABALHO DE OLAVO DE CARVALHO SOBRE O PENSAMENTO PÓS-MODERNO | João Maurício Brás

OLAVO DE CARVALHO COMO EXEMPLO PROVECTO DO AUTO-DIDACTISMO | Luís Pires dos Reys

A EXPERIÊNCIA DO ESPANTO ANTE O NOVO E O DESVELAMENTO DA VERDADE NA MINHA LEITURA DE OLAVO DE CARVALHO | António Vieira

A IMPORTÂNCIA DO IMAGINÁRIO LITERÁRIO NA FILOSOFIA DE OLAVO DE CARVALHO | Artur Silva

OLAVO DE CARVALHO E A DIMENSÃO RELIGIOSA: ALGUMAS QUESTÕES | Pedro Sinde

O MAGISTÉRIO CATÓLICO DE OLAVO DE CARVALHO | Juliana Rodrigues

12h30 | ALMOÇO

14h00 | PAINEL II

O MUNDO LUSÓFONO E A AMBIGUIDADE DO OCIDENTE | Alexandre Franco de Sá

A TENSÃO “NACIONAL - INTERNACIONAL”, NO EXERCÍCIO DE PENSAMENTO PROFUNDO, A PRETEXTO DO EXEMPLO DE OLAVO DE CARVALHO | Manuel Rezende

A ANÁLISE DA CRIPTO-IDEOLOGIA POPULISTA CONTEMPORÂNEA | Gabriel Guimarães e Riccardo Marchi

A LEITURA DO PENSAMENTO FILOSÓFICO-POLÍTICO DE ERIC VOEGELIN POR OLAVO DE CARVALHO | Pedro Velez

LIVRE PENSAMENTO E LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE IMPRENSA. UMA AVALIAÇÃO COMPARATISTA ENTRE PORTUGAL E BRASIL A PROPÓSITO DO EXEMPLO DE OLAVO DE CARVALHO | António Abreu

LIBERALISMO, POSITIVISMO E MARXISMO: A INFILTRAÇÃO IDEOLÓGICA NO DIREITO PÚBLICO BRASILEIRO E O PENSAMENTO DE OLAVO DE CARVALHO | Amauri Saad

16h00 | INTERVALO

16h15 | PAINEL III

OLAVO DE CARVALHO COMO FILÓSOFO – UMA ABORDAGEM INTEGRAL | Mário Chainho

REAVIVAMENTO DO INTERESSE PELA HISTÓRIA BRASILEIRA E PORTUGUESA | Rafael Nogueira

OLAVO DE CARVALHO E O SEU CONTRIBUTO PARA A RECUPERAÇÃO DA IDEIA DE PORTUGAL NA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA | José Almeida

OLAVO DE CARVALHO COMO EXPRESSÃO (IM)PREVISTA DO GRUPO DA FILOSOFIA PORTUGUESA | Pedro Vistas

OLAVO DE CARVALHO E A VALIA DO FILÓSOFO QUE SABE PEDIR COM IMPERTINÊNCIA | Carlos Aurélio

ARISTÓTELES E A FILOSOFIA PORTUGUESA – O CONTRIBUTO DE OLAVO DE CARVALHO | Joaquim Domingues

18h15 |CONCLUSÕES

Renato Epifânio e Jaime Nogueira Pinto

18h30 | APRESENTAÇÃO DA OBRA

“ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA”, DE OLAVO DE CARVALHO | Rodrigo Sobral Cunha

Organização: MIL: Movimento Internacional Lusófono | Fundação Lusíada | NOVA ÁGUIA: Revista de Cultura para o século XXI | CEDIS: Centro de I&D sobre Direito e Sociedade da Universidade Nova de Lisboa | Sociedade de Geografia de Lisboa

26-27 de Novembro

No âmbito do VI Congresso da Cidadania Lusófona:
https://cidadanialusofona.webnode.com

28-30 de Novembro

No âmbito do III Festival Literário de Fátima:
https://www.tabularasa.pt

30 de Novembro

No âmbito do novo Ciclo de Tertúlias de Cultura Portuguesa:
https://tertuliasdeculturaportuguesa.tumblr.com/

Editada em Portugal pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono, esta obra será lançada no dia 25 de Novembro, em Lisboa, no âmbito de um Colóquio, que anunciaremos oportunamente, sobre o Pensamento de Olavo de Carvalho, para o qual já assegurámos a participação de algumas figuras prestigiadas da nossa Cultura e Academia, que irão reflectir sobre as diversas facetas do impacto da sua Obra no Brasil e em todo o Espaço Lusófono.

Para mais informações: info@olavoemportugal.pt | 967044286

Organização